O que você não sabe sobre a grama do vizinho

A grama do vizinho

 

Que atire a primeira pedra quem nunca, ao dar uma espiadinha na vida alheia, não a julgou mais fácil, mais bonita e mais florida do que a própria. Ou, ao fuçar feeds aleatórios por aí, sentiu uma sensação de vazio e se questionou o porque de todo mundo estar fazendo algo incrível e ter uma vida bem sucedida e resolvida, menos nós mesmos. Julgamentos desse tipo as vezes são inevitáveis, mas a verdade é que todo mundo já vivenciou esse terrível sentimento de vazio ou fracasso. Normal.

Um dia desses, conversando com uma amiga do Brasil, ela me contou o quanto as coisas não estavam dando certo pra ela e que, se ela estivesse morando em outro país, com certeza não estaria sofrendo, pois estaria viajando, curtindo a vida e conhecendo um monte de gente nova. Naquele mesmo dia, euzinha aqui estava totalmente triste e desolada, sentindo falta da minha família, em processo de readaptação na Holanda (aê, voltei!), preocupada com dinheiro e sem vontade nenhuma de levantar da cama. Peraí Keith, mas você mora na Europa, como assim estava sofrendo? Pois é gente, acreditem ou não, mas essa história de que é melhor sofrer em Paris (ou Amsterdam, no meu caso) não é verdade absoluta. O fato é que, apesar de sermos diferentes e termos vidas e dores distintas, todos nós, em determinado momento da vida, passamos por problemas. Todo mundo mesmo. Ainda não conheci ninguém vivendo a perfect life.

A grama do vizinho pode até parecer mais verde do que a sua, mas a verdade é que todo mundo se sente ou já se sentiu perdido ou com um vazio gigante dentro de si. Normalmente, o que muda é a maneira como cada um lida com isso. Podemos nos vitimizar, culpar o mundo, questionar Deus e desejar uma vida perfeita em uma próxima existência, ou podemos procurar o que nos chateia, tirar as pedras do caminho e tentar valorizar mais o simples fato de estarmos vivos. Felicidade é algo tão frágil e que precisa ser trabalhada no dia a dia, todos os dias. Às vezes, o que deixa a grama do vizinho tão verdinha e fascinante é a maneira como ele cuida dela. Eu procuro regar, capinar e reconstruir a minha sempre que necessário, mas é claro que cada dia é único e diferente do outro, e não é sempre que estamos dispostos a cuidar da nossa própria grama pra que cresça forte e verdinha – alguns dias são como aquele em que eu não queria nem levantar da cama. Contando que dias assim não virem rotina e que não nos leve a espiar e desejar a grama alheia – esquecendo de cuidar da nossa – tá tudo bem.

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